Em Estocolmo é fácil passar sufoco quando bate a vontade urgente de ir ao banheiro. Entenda por que há tão poucos banheiros públicos, quais estações têm WC e como se virar na capital sueca.
Quem vive em Estocolmo já passou por isso: você está no metrô, no frio, com três casacos, dois sacos de compras e… pronto. A bexiga resolveu acordar. Procurar um banheiro perto da tunnelbana é quase um esporte radical. Parece exagero, mas não é.
Hoje não existe uma única toalete para clientes em nenhuma estação de metrô da capital sueca. Zero. Nada. Nem uma portinha salvadora. E isso se repete até nas 18 novas estações que estão sendo construídas — pelo menos por enquanto.
Por que Estocolmo tem tão poucos banheiros públicos?
Segundo a própria administração do transporte, a SL, construir e manter banheiros não faz parte do “escopo”. Resultado: quem precisa improvisar acaba dependendo de shoppings, cafés ou boa vontade de estabelecimentos privados.
Quando existiam toaletes integradas ao tunnelbana, em lugares como Karlaplan, Masmo e Hallunda, elas foram fechadas. Motivo oficial: mau uso. Motivo extraoficial que todo mundo sabe: manutenção fica cara e problemática.
Enquanto isso, cidades como Londres têm banheiros públicos em praticamente toda esquina. Aqui, a sensação é que Estocolmo funciona sob a regra não escrita de que “a gente se segura”. Ótimo para memes, péssimo para quem tem crianças, idosos ou problemas de saúde.
As exceções: onde realmente dá para ir ao banheiro
O único respiro fica nas estações onde metrô e pendeltåg se encontram. As estações de trem urbano têm banheiro — não por gentileza, mas porque viagens mais longas exigem esse serviço.
As quatro estações onde existe banheiro acessível (pagando 10 kr) são:
É isso. Quatro. Para toda Estocolmo.
Pendeltåg: onde há mais chances de encontrar uma porta salvadora
Quase todas as estações de pendeltåg que são bem estruturadas e com pessoal contam com WC. Custam 10 coroas e geralmente são limpas. Algumas exceções obvias: as estações menores ou totalmente automáticas, como Krigslida, Tungelsta, Hemfosa, Segersäng, Ösmo, Nynäs gård, Gröndalsviken e Nynäshamn. Arlanda também não entra na lista porque tem gestão própria.
Ou seja: na prática, se você está no metrô e começa a rezar para não virar uma estatística, tente trocar para o pendeltåg mais próximo.
E no futuro? Há alguma esperança?
A região afirmou que pode reconsiderar o assunto dentro do plano de expansão e até incluiu a análise de “novas atividades comerciais” nas estações para o próximo orçamento. Isso abre espaço para banheiros, mas nada está garantido.
É uma discussão antiga e necessária: uma capital que se pretende acessível, moderna e acolhedora não pode exigir que moradores e turistas “se virem”. Não é elegante, não é prático e definitivamente não combina com a imagem organizada da Suécia.
Enquanto isso, como sobreviver?
É chato? É. Mas é a realidade atual.
No fim das contas, Estocolmo continua linda, organizada e eficiente — só não conte com ela quando a bexiga gritar. Aí, é cada um por si até essa política mudar.

