A eleição sueca terminou com uma diferença tão pequena que, por enquanto, a resposta mais correta é: ainda não dá para dizer quem venceu.
Na madrugada desta segunda-feira, 14 de setembro, a contagem preliminar mostrava uma pequena vantagem para o bloco de oposição, liderado pelos Social-Democratas de Magdalena Andersson.
Naquele momento, a projeção era de:
- 176 cadeiras para o bloco de oposição;
- 173 cadeiras para o bloco que apoia o atual primeiro-ministro, Ulf Kristersson.
São apenas três cadeiras de diferença.
E aqui já vale explicar uma coisa importante: o Parlamento sueco, chamado Riksdag, tem 349 cadeiras. É ali que ficam os deputados eleitos e é dali que sai a base para formar o governo.
Então Magdalena Andersson ganhou a eleição?
Ainda não.
Essa é justamente a parte que pode confundir quem está acompanhando as manchetes.
Ter mais cadeiras na contagem preliminar não significa automaticamente que Magdalena Andersson já venceu ou que será a próxima primeira-ministra.
Primeiro porque a contagem ainda não terminou.
Segundo porque, na Suécia, a população não escolhe diretamente o primeiro-ministro.
Os eleitores escolhem os partidos e os representantes que vão ocupar o Parlamento. Depois disso, começa outra etapa: descobrir quem consegue apoio suficiente para governar.
Mas ainda faltam votos?
Sim.
Depois do dia da eleição, ainda existem votos que entram na contagem, incluindo votos antecipados que chegaram mais tarde e votos enviados por suecos que estavam no exterior.
Além disso, os votos passam por uma conferência oficial antes de o resultado ser considerado definitivo.
Por isso, com uma diferença de apenas três cadeiras, é cedo demais para tratar o resultado como fechado.
Quem é que decide quem será primeiro-ministro?
É o Parlamento.
E aqui aparece uma palavra que você provavelmente vai ouvir bastante nos próximos dias: talman.
Talman é o presidente do Parlamento sueco. Não é presidente da Suécia, nem primeiro-ministro. É a pessoa que conduz o trabalho do Parlamento e que ganha um papel especialmente importante quando é preciso formar um novo governo.
Depois do resultado da eleição, o talman conversa com os líderes dos partidos para entender quem teria condições de conseguir apoio suficiente no Parlamento.
Depois dessas conversas, ele apresenta um candidato a primeiro-ministro.
Esse nome é então votado pelos deputados.
E como funciona essa votação?
O sistema sueco tem uma característica curiosa.
O candidato não precisa necessariamente ter a maioria dos deputados votando a favor dele.
O que ele precisa é não ter 175 ou mais deputados votando contra.
Como o Parlamento tem 349 cadeiras, 175 votos contrários são suficientes para impedir a candidatura.
Na prática, isso quer dizer que alguns partidos podem não apoiar diretamente um candidato, mas também podem decidir não bloqueá-lo.
E é por isso que formar governo na Suécia pode envolver bastante negociação.
E o atual primeiro-ministro, Ulf Kristersson?
Ele continua sendo primeiro-ministro neste momento.
Uma eleição não troca automaticamente o governo na manhã seguinte.
Se Ulf Kristersson permanecer no cargo até a abertura do novo Parlamento, haverá uma votação para saber se ele ainda tem apoio suficiente para continuar.
Se 175 deputados ou mais votarem contra ele, ele terá que deixar o cargo.
Se ele decidir renunciar antes, começa o processo para encontrar um novo primeiro-ministro.
Então quando vamos saber quem vai governar?
Primeiro precisa sair o resultado final da eleição.
Depois vêm as negociações políticas.
E essa segunda parte pode ser rápida ou pode levar tempo.
Na Suécia, isso já demorou bastante no passado. Depois da eleição de 2018, por exemplo, foram necessários vários meses até que um governo fosse finalmente formado.
Ou seja: mesmo quando todos os votos estiverem contados, ainda pode faltar responder à pergunta principal.
Quem realmente consegue montar um governo?
E por que isso interessa para os brasileiros que vivem na Suécia?
Porque o próximo governo pode influenciar diretamente várias áreas que fazem parte da vida de quem mora aqui.
Entre elas:
- regras de imigração;
- permissão de residência;
- cidadania sueca;
- mercado de trabalho;
- impostos;
- benefícios sociais;
- saúde;
- educação;
- regras para empresas e trabalhadores.
Mas atenção: nada disso mudou automaticamente por causa da eleição de domingo.
Primeiro precisamos saber qual será o resultado definitivo. Depois, qual governo conseguirá ser formado. Só então começa a ficar mais claro quais propostas realmente terão chance de virar política.
Resumindo, sem complicação
A eleição aconteceu.
A oposição aparece na frente por uma diferença muito pequena.
A contagem ainda não terminou.
Magdalena Andersson ainda não pode ser chamada oficialmente de vencedora.
Ulf Kristersson continua sendo primeiro-ministro.
E mesmo depois do resultado final ainda pode começar uma nova fase de negociações para decidir quem vai governar a Suécia.
O Brassar vai acompanhar principalmente o que interessa para quem vive aqui: o que pode realmente mudar na sua vida.
Fontes: Valmyndigheten, Sveriges Riksdag e Associated Press.

