A eleição sueca terminou com 176 cadeiras para S, V, C e MP e 173 para M, SD, KD e L, mas a Suécia ainda não tem um novo governo. O resultado final já foi confirmado, e a etapa agora é a formação de governo no Riksdag.
Após a divulgação da nova apuração nesta quinta-feira, 17 de setembro, Ulf Kristersson, líder do Moderaterna, pediu formalmente para deixar o cargo de primeiro-ministro. Pouco depois, Magdalena Andersson, líder dos Socialdemocraterna, fez um discurso de vitória e afirmou que os suecos votaram por uma nova direção para o país.
Isso não significa, porém, que Magdalena Andersson já seja a nova primeira-ministra. Na Suécia, os eleitores escolhem os integrantes do Parlamento, chamado de Riksdag. Depois, cabe ao Parlamento aceitar ou rejeitar o nome apresentado para chefiar o governo.
Como ficou o Parlamento sueco
O resultado final distribui as 349 cadeiras da seguinte maneira:
- Socialdemocraterna (S): 99 cadeiras
- Moderaterna (M): 70 cadeiras
- Sverigedemokraterna (SD): 62 cadeiras
- Vänsterpartiet (V): 30 cadeiras
- Centerpartiet (C): 25 cadeiras
- Kristdemokraterna (KD): 22 cadeiras
- Miljöpartiet (MP): 22 cadeiras
- Liberalerna (L): 19 cadeiras
Somados, Socialdemocraterna, Vänsterpartiet, Centerpartiet e Miljöpartiet chegam a 176 cadeiras. Do outro lado, Moderaterna, Sverigedemokraterna, Kristdemokraterna e Liberalerna ficam com 173.
É importante não tratar os quatro partidos vencedores como se já formassem uma coalizão pronta. Eles estiveram do mesmo lado contra o governo Kristersson, mas têm diferenças importantes e ainda precisam negociar como — e com quem — pretendem governar.
O resultado já é definitivo?
Sim. O resultado final da eleição para o Riksdag já foi confirmado: os oito partidos dividiram as 349 cadeiras em S 99, M 70, SD 62, V 30, C 25, KD 22, MP 22 e L 19. O placar entre os dois blocos ficou em 176 contra 173.
Por que Magdalena Andersson ainda não é primeira-ministra?
Com a saída de Kristersson, começa a chamada regeringsbildning, o processo de formação de um novo governo.
O talman, presidente do Parlamento sueco, conversa separadamente com os líderes dos partidos para descobrir qual candidato tem condições de ser aceito pelo Riksdag. Depois, apresenta um nome para votação.
Se 175 ou mais deputados votarem contra, o nome é rejeitado. O presidente do Parlamento pode apresentar até quatro propostas. Se todas forem recusadas, uma eleição extraordinária deverá ser convocada.
Onde está o problema para Magdalena Andersson?
Os 176 mandatos da oposição não significam que os quatro partidos concordem sobre a composição do governo.
O Vänsterpartiet quer ter influência direta e vem reivindicando participação no governo. O Centerpartiet, por outro lado, rejeita um governo com ministros do Vänsterpartiet. Ao mesmo tempo, o partido também não quer entregar poder ao Sverigedemokraterna.
Isso coloca o Centerpartiet em uma posição decisiva. Sem suas 25 cadeiras, Socialdemocraterna, Vänsterpartiet e Miljöpartiet somam apenas 151 mandatos.
Magdalena Andersson poderá tentar formar um governo menor, provavelmente liderado pelos Socialdemocraterna, e negociar para que outros partidos votem a favor ou, pelo menos, se abstenham. Outra possibilidade é uma composição mais ampla, mas isso exigiria concessões políticas importantes.
Kristersson deixa o governo imediatamente?
Não. Embora tenha pedido para ser afastado, Kristersson e seus ministros permanecem temporariamente como uma övergångsregering, ou governo de transição, até que um novo governo tome posse.
Esse governo continua cuidando das tarefas necessárias e dos assuntos urgentes, mas normalmente evita decisões políticas de grande alcance. A ideia é simples: a Suécia não pode ficar sem governo enquanto os partidos negociam.
O que acontece agora
Em 18 de setembro, o presidente do Parlamento, Andreas Norlén, deu a Magdalena Andersson a primeira missão de sondar as condições para formar um governo que seja tolerado pelo Riksdag. Ela deverá relatar o resultado dessa sondagem ao presidente do novo Parlamento.
O novo Riksdag se reúne em 28 de setembro. Portanto, o resultado eleitoral está fechado, mas ainda não é possível afirmar quem será a próxima primeira-ministra. Andersson tem a primeira oportunidade de tentar formar uma maioria ou conseguir abstenções suficientes para que um governo seja tolerado pelo Parlamento.